Conduta de vereador gera debate sobre responsabilidade institucional e postura democrática - por Lucilene Prevatto
"A recente manifestação pública de um vereador Bernardo de Pinho de Natividade, divulgada em tom oficial nas redes sociais, reacendeu o debate sobre os limites entre o legítimo papel fiscalizador do Legislativo e o uso político de fatos graves ainda em apuração. Ao atribuir, de forma indireta, possível responsabilidade ao Poder Público por um ocorrido durante evento de Réveillon, o parlamentar antecipa conclusões antes do encerramento das investigações técnicas conduzidas pelos órgãos competentes.
A função fiscalizadora do vereador é essencial para a democracia, sobretudo no acompanhamento dos atos do Executivo e na cobrança por transparência. No entanto,a gestão pública e comunicação institucional alertam que a fiscalização deve ser exercida com cautela, responsabilidade e sem pré-julgamentos, especialmente quando se trata de episódios sensíveis que envolvem violência e comoção social.
Outro ponto que gerou críticas foi a restrição de comentários nas redes sociais do parlamentar, medida vista por parte da população como contraditória ao discurso de defesa da transparência e do interesse público. Para setores da sociedade civil, o debate democrático pressupõe escuta, inclusive de opiniões divergentes, sobretudo quando a comunicação parte de um agente público.
A expectativa da população é que o processo de apuração ocorra com rigor técnico, isenção e respeito à legalidade, sem que tragédias sejam instrumentalizadas politicamente. O episódio reforça a importância de que representantes eleitos mantenham coerência entre discurso e prática, priorizando o interesse coletivo, o equilíbrio institucional e o fortalecimento do diálogo público."
*Lucilene Prevatto*

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